sábado, 14 de junho de 2014

Mons. Nicola Bux: O escopo último da liturgia é o encontro com o mistério, a redescoberta de uma nova sensibilidade, um adequado espaço para o sagrado, para o silêncio, para a escuta, para evitar que a liturgia se transforme – como infelizmente sói acontecer – em “exibição de actores e inundação de palavras”.



Fotos da Missa Tridentina da Vigília de Natal na Paróquia de S.Vicente de Paulo, em Toronto no Canadá

Liturgia, segundo Mons. Bux

Sua apresentação em Bari, na Itália, foi assunto da edição de hoje do L’Osservatore Romano. Eis alguns excertos:

“Está nascendo um novo movimento litúrgico que mira as liturgias de Bento XVI; não bastam as instruções preparadas pelos peritos, desejamos liturgias exemplares que nos façam encontrar Deus. (...) O método escolhido pelo Papa para a renovação da vida litúrgica é o de oferecer como modelo exemplar as liturgias que celebra.

Impressiona-me que alguns se esquivam dizendo que aguardam as determinações do Papa. Temos assistido ao modus celebrandi do Santo Padre, basta imitá-lo sem esperar ulteriores instruções. Todas as escolhas do Papa são motivadas por uma teologia litúrgica de fundo, e não saudosismo, formalismo ou esteticismo.

A liturgia como lugar do encontro com o Deus vivo, não um show para tornar a religião interessante, não um museu de formas rituais grandiosas. (...) Missas-show são televisionadas e copiadas em nossas paróquias, em flagrante desrespeito às leis litúrgicas. Mons. Bux também não poupa os que se apegam apenas à exterioridade dos rituais, absolutizando-os.

A liturgia cristã, como o próprio acontecimento cristão, não é feita por nós (Faltou combinar com as comissões litúrgicas nacionais, diocesanas e paroquiais; vá convencer os padres). Um termo como actualização forjou a ideia que nós tivéssemos a capacidade de replicá-la, criar as condições justas para que pudesse ocorrer, de organizá-la, quase como se fôssemos criadores daquilo que afirmamos crer. Na realidade é Jesus Cristo que faz a sagrada liturgia com o Espírito Santo.

Bux
A nós cabe seguir, dar espaço à sua acção. O método à disposição de todos é contemplar o que acontece – se costumava dizer “assistir”, isto é, ad stare – estar diante de sua presença; significa aderir a Algo que vem antes, seguir aquilo que ele realiza em meio a nós, capaz sempre de reverter num segundo a ideia de que o culto seja feito por nós. A liturgia é sagrada e divina porque é uma Coisa que vem do outro mundo.

Obviamente que este dom divino chegou a nós pela mediação da Igreja. Cabe a ela custodiar este precioso depósito de fé e de oração, e como ensina a Instrução Redemptionis Sacramentum 10: "A mesma Igreja não tem nenhum poderio sobre aquilo que tem sido estabelecido por Cristo, e que constitui a parte imutável da liturgia".

Quanto às formas passíveis de mudança, cabe igualmente a Igreja escolher aquelas que mais bem transmitem a ortodoxia da Fé e que já foram provadas pelos séculos e continuam a dar frutos.


Está aberta aos elementos que podem contribuir para seu enriquecimento e pronta a eliminar o que já se tornou obsoleto. Dada a natureza sagrada da Liturgia, sua relação intrínseca com a Lex Orandi e a necessária integridade dos Ritos, decisões neste âmbito cabem ao Sumo Pontífice. O Papa Bento já deixou claro não ser adepto de mudanças frequentes, mesmo quando nitidamente positivas, para não dar a idéia de que a liturgia seja algo em constante reformulação.

Desejamos ajudar a compreender e a celebrar dignamente a liturgia como possibilidade de encontro com a realidade de Deus e causa da moralidade do homem, a enxergar nas degradações sintoma de vazio espiritual indicando o caminho para restaurar-lhe o espírito no signo da unidade da fé apostólica e católica, a promover um debate sério e um caminho educativo seguindo o pensamento e o exemplo do Papa que permita retomar o movimento litúrgico.

É mister olhar para o espírito da liturgia como adoração de Deus Pai por Jesus Cristo no Espírito Santo e como pedagogia para entrar no mistério e de ser transformados em moralidade e santidade.”
Fonte:Oblatvs

Andrea Tornielli, publicou no Il Giornale, uma recensão ao novo livro de Mons. Nicola Bux, “La riforma di Benedetto XVI. La Liturgia fra innovazione e tradizione”, ainda não publicado em português .

Mons. Bux é consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, da Congregação para as Causas dos Santos, do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, professor de Liturgia Comparada, vice-presidente do Instituto Ecumênico de Bari e consultor da revista teológica internacional «Communio».

“A reforma de Bento XVI”, por ANDREA TORNIELLI

Não é sempre fácil compreender, na selva das declarações polêmicas e das simplificações jornalísticas, qual seja a verdadeira mensagem que Bento XVI, com o seu exemplo antes mesmo que com sua palavra, pretende dar à Igreja no que concerne à celebração litúrgica. O retorno da cruz ao centro do altar, a recuparação de antigos paramentos e sobretudo a promulgação do motu proprio que em 2007 liberou o rito pré-conciliar estão no centro de debates e discussões, frequentemente polarizados em campos opostos e não isentos de tonalidades extremistas.

Por tudo isso é ocasião de receber como uma boa notícia a publicação do livro de Mons. Nicola Bux, “La riforma de Benedetto XVI (Pieme, pp 128, 12 euros, nas livrarias desde quarta-feira), um volume ágil e ao mesmo tempo denso e documentado, prefaciado por Vittorio Messori.

Um livro que ajuda a “ler” os actos e iniciativas litúrgicas do pontificado ratzingeriano reportando-os ao seu significado mais profundo, sem o qual corre-se o risco de julgá-los como exterioridade nostálgica de uma parte, ou como vinganças restauradores de outra.

Bux, teólogo estimado pelo próprio Pontífice, perito em teologia e liturgia orientais, explica que “a natureza da sagrada liturgia é ser o tempo e o lugar em que seguramente Deus vai ao encontro do homem”, não “alguma coisa a ser construída por nós, algo de inventado para produzir uma experiência religiosa”, sendo ainda “o cantar com o coro das criaturas e o entrar na própria realidade cósmica”.

Em Coimbra, no dia 22 de Setembro, Mons. Nicola Bux deu-nos o prazer de um encontro e a graça de celebrar a Sancta Missa cantata na forma extraordinária do Rito Romano.De seguida, na Igreja da Rainha Santa Isabel, Mons. Nicola Bux celebrou a Santa Missa usus antiquor, votiva da Padroeira da Cidade de Coimbra.

 

Mons. Nicola Bux em Coimbra

De 17 a 23 de Setembro de 2010, Mons. Nicola Bux, consultor do Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, esteve em peregrinação por Portugal e Espanha, numa viagem organizada pela FSISA. Para além de Santiago de Compostela e Oviedo, Mons. Nicola Bux peregrinou a Fátima, à Igreja de Santo António de Lisboa e esteve na Lusa Atenas.


Na conversa que teve connosco, incentivou-nos à fidelidade ao pensamento e magistério litúrgico do Santo Padre. Disse-nos que as dificuldades que passamos na Igreja, pela desobediência à renovação espiritual da Igreja, promovida pelo Papa Bento XVI, que parte da sua lex orandi, começam a desvanecer-se. É necessário um clero jovem, fiel ao Papa, conhecedor em profundidade do seu pensamento e magistério. Falou-nos também do que podemos e devemos fazer para ajudar o Santo Padre no seu apelo a um novo movimento litúrgico: capaz de valorizar o tesouro da Liturgia Tradicional e reflectir sobre a reforma da reforma litúrgica levada a cabo depois do Concílio Vaticano II. Foi, na verdade, uma palestra inspiradora, cheia de esperança e encorajamento!

Nesta visita por Portugal, agendou-se também a próxima vinda de Mons. Nicola Bux, para um ciclo de conferências, em Braga, Fátima e Lisboa, por ocasião da publicação em português da obra A Reforma de Bento XVI: a liturgia entre a inovação e a tradição, no próximo Advento, numa iniciativa promovida em colaboração com a FSISA.











Monsenhor NICOLA BUX
Sacerdote da Arquidiocese de Bari, estudou e ensinou em Jerusalém e Roma. Docente de Liturgia Oriental e de Teologia dos Sacramentos na Faculdade Teológica Pugliese. Foi perito no Sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia (2005). Actualmente é consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, da Congregação para a Causa dos Santos e conselheiro da revista teológica internacional Communio. Foi nomeado pelo Papa Bento XVI, consultor do Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice. Das suas numerosas publicações sobressaem: Perché i cristiani non temono il martirio (Piemme, 2000); Dove egli dimora. Il senso dell’adorazione nella vita cristiana (San Paolo, 2005); Il Signore dei misteri. Eucaristia e relativismo (Cantagalli, 2005); com A. Garuti, Pietro ama e unisce. La responsabilità personale del papa per la Chiesa universale (Studio Domenicano, 2007). A sua obra mais recente é A Reforma de Bento XVI: a Liturgia entre a inovação e a tradição (Piemme, 2009).
Muito recentemente foi nomeado pelo Papa como perito para o próximo Sínodo do Médio Oriente. Em Novembro de 2010, publicará mais um livro sobre a reforma da reforma e a questão dos abusos litúrgicos, intitulado Como ir à Missa sem perder a fé?

fonte.http://fsisa.blogspot.com/2010/09/mons-nicola-bux-em-coimbra.html

Interesante entrevista a mons. Nicola Bux, gran liturgista


Entrevista a mons. Nicola Bux

Interesante entrevista a mons. Nicola Bux, gran liturgista, que se encontraba en un blog de Intereconomía: albadigital.es cuyo enlace lamentablemente está roto.
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- ¿Podría explicar en qué consiste la participación actuosa de mente y de corazón?

Dice San Pablo en su Carta a los Romanos, en el capítulo 12, que debemos ofrecer nuestros cuerpos como sacrificio razonable, agradable a Dios. Esa es una participación “activa”, es decir; de acto, de acción. Nuestra acción máxima es la de unir nuestra vida a Cristo y, sobre todo, ofrecer nuestra vida a la oferta de Cristo en el sacrificio de la Cruz. Esta es la Misa. Esta es la participación, la parte que falta cuando San Pablo, en la carta a los colosenses, dice “cumplo lo que falta al sufrimiento de Cristo en mi carne, a favor de su cuerpo, que es la Iglesia”. Él quiere decir que esa actividad, esa acción en la liturgia es unir nuestra vida a la de Cristo. Esa es la participación que la constitución litúrgica del concilio habla y remite: promover, pedir. Por tanto, que los fieles en la liturgia sean conscientes de que cumplen esa parte, que falta -en cierto sentido- a Cristo. Uno puede decir “¿Cómo puede ser? ¿A la Redención de Cristo le falta algo?” No, es completa, “todo está cumplido”. Es nuestra parte la que falta, tenemos que poner de nuestra parte. Esto requiere que miremos a Cristo, que le contemplemos. -

-Frente a la participación actuosa, ¿cuales son las características de la mala participación?

Se caracteriza en que, en vez de partir de Cristo, partimos de nosotros mismos, de nuestras ideas, de nuestros proyectos, del deseo de éxito, de organizar la liturgia, de crearla, de cambiarla según los gustos subjetivos y, en suma, poniendo en el centro de la liturgia no al Señor, sino a nosotros mismos. Creo que hoy un síntoma de este centralismo humano, antropologíco, es la sede del celebrante en el centro de la Iglesia. Nunca en la historia se dio así. Incluso el obispo antiguamente no se sentaba nunca en el centro, sino que encabezaba la asamblea, mientras era el altar lo que estaba en el centro.

- Pero hoy la sede está en el centro… Hemos puesto al hombre en el centro, en vez de al Señor. Alguno puede objetar que el sacerdote representa a Cristo.

Sin duda esto es cierto, aunque en una medida muy reducida. Antes Cristo era representado por la centralidad del santuario, del altar. El sacerdote es un ministro de Cristo, por tanto, importante, pero no puede estar siempre en el centro, cuando ofrece la oración de gracias, la eucaristía.

- ¿Por qué la entrada del novus ordo se produjo de una manera tan súbita y, para algunos, tan traumática?

La reforma litúrgica fue impuesta por expertos estudiosos que después se sirvieron de un decreto papal para poder dar fuerza a esa reforma. Es una reforma que no respeta el desarrollo que se había dado antes (1950, 1960) en continuidad, sino que es una reforma que ha creado un trauma. Todos recordamos cuando fue promulgado el calendario de los santos, en 1970; hubo muchas reacciones polémicas; así también cuando fue promulgado el ‘Ordo Missae’, porque se divisaba que venía obligada una forma de celebrar que no estaba en relación con las formas precedentes. - ¿Esto quiere decir que la reforma de Pablo VI no fue buena? Era buena, estaba bienintencionada, pero quizás el mismo Pablo VI, como algunos estudiosos han profundizado, no pensaba que se hubiesen traspasado las fronteras que la constitución litúrgica había establecido, sobre todo en el artículo 23, por ejemplo: “que las nuevas formas deben desarrollarse orgánicamente de las ya existentes”. El rito de Pablo VI puede ser celebrado digna y correctamente si se recupera el sentido de la liturgia que tiene el rito tradicional.

- ¿Cual es el objetivo de las reformas litúrgicas de Santo Padre?

Seguir al Papa significa volver a dar centralidad a Cristo en la liturgia, que es el lugar de la presencia de Dios, donde el hombre lo puede encontrar. El hombre de hoy busca a Dios. “En el mundo hay muchos lugares donde la fe corre el riesgo de apagarse”, dice Benedicto XVI a los obispos después de revocar las excomuniones a los cuatro obispos ordenados por Monseñor Lefebvre. En el mundo la fe corre el riesgo de apagarse, hay una necesidad por hacer a Cristo presente en el mundo. Y no hay mejor modo de hacerlo que celebrar la Liturgia en modo ‘mistérico’, digno, profundo. Así que debemos seguir al Papa que conoce bien la liturgia desde el punto de vista histórico, moral, jurídico, pastoral.

- Desde luego, Benedicto XVI aboga por ahondar en el estudio de la liturgia.

Todos -tanto amantes de la tradición como los que aman la innovación- hemos de estudiar más las fuentes litúrgicas, la patrística, las Sagradas Escrituras, la teología medieval y moderna, para descubrir todo lo que se ha desarrollado en 2000 años de historia de la Iglesia. Siempre ha habido reformas litúrgicas, pero no de manera traumática, sino con un desarrollo orgánico. La liturgia se debe desarrollar como se desarrolla un paisaje; no con terremotos, sino con una modificación sin traumas, casi sin darse cuenta. Hoy somos muy sensibles al medio ambiente. No queremos que el paisaje se desgaste, queremos que su desarrollo sea respetado. Así también debe ser para la liturgia.

- Que se celebre la Misa con dignidad tambien parece ser uno de los objetivos de este pontificado.

Dice el Santo Padre que deben haber cada vez más comunidades y lugares ejemplares, que celebren la liturgia con buen ejemplo, con la adoración de Dios. “Participar” quiere decir adorar a Dios, conocer que está presente. Saber que nosotros servimos a Dios, que le damos gloria. Esto es lo que hoy es necesario, porque los jóvenes que buscan climas y ambientes

Missa Antiga: Missa de Jovens. Entrevista com o Padre Nicola Bux.


Os bispos que desobedecem ao Papa não esperem então ser obedecidos por seu clero e fiéis. Nos episcopados: um galicanismo sorrateiro que se crê auto-suficiente. A reforma litúrgica: não era uma das urgências pretendidas pelo concílio. O exclusivismo dos que se professam ecumênicos.
por Francesco Mastromatteo
Padre Nicola Bux é também consultor para as Congregações para a Doutrina da Fé, Causa dos Santos e Culto Divino, assim como do Ofício para as Celebrações Litúrgicas Pontifícias.
Padre Nicola Bux é também consultor para as Congregações para a Doutrina da Fé, Causa dos Santos e Culto Divino, assim como do Ofício para as Celebrações Litúrgicas Pontifícias.
Um irreversível crescimento de consenso, especialmente entre os jovens. Padre Nicola Bux não tem dúvidas sobre o avanço da Tradição Católica, sobretudo entre as gerações mais jovens, após o Motu Proprio com o qual Bento XVI “liberalizou” o rito antigo já há quatro anos. Pedimos ao Pe. Nicola Bux, professor da Universidade Lateranense, eminente teólogo e estudioso litúrgico muito próximo ao Papa Ratzinger, um balanço da situação, do ponto de vista privilegiado de um dos maiores especialistas em matéria litúrgica. Nós o encontramos durante um debate político, ao fim do qual não polpou críticas apertis verbis a um sub-secretário do atual governo, cuja declarada fé católica e proximidade com os movimentos pró-vida não impediram de votar um financiamento à Rádio Radicale [ndr: rádio oficial do partido esquerdista italiano Partito Radicale], como, no fim da contas, fizeram outros parlamentares católicos.
Padre Bux, até mesmo o suplemento de um jornal em nada filo-católico como o La Repubblica teve de reservar uma edição à difusão da missa em latim segundo o Missal de 1962. Algo está mudando?
O balanço é certamente positivo: há um crescimento desta oportunidade dada pelo Papa para toda a Igreja. Ela se difundiu sem imposições, depois que o Motu Proprio de 2007 abriu uma brecha. Agora já se passou a idéia de que o rito antigo nunca foi abolido e que a reforma litúrgica não era uma das necessidades prementes pretendidas pelo Concílio. A hostilidade para com a missa em latim foi sustentada por teses infundadas, como a de que nos primeiros séculos o sacerdote celebrava voltado para o povo, enquanto posteriormente teria lhe dado as costas: afirmação falsa, dado que o sacerdote estava voltado para o Senhor.
Uma missa antiga, mas amada pelos jovens: não é um paradoxo?
Basta dar uma volta, como eu faço, por celebrações e conferências: não só na Itália, mas no exterior, o rito antigo se difunde mais e mais precisamente entre os jovens. Na minha visão, isso se deveu ao fato de que os jovens se aproximam da fé buscando o sentido do Mistério, e o encontram de forma clara na Missa celebrada na forma extraordinária. O retorno ao rito tradicional não é secundário para a fé: ele favorece, em uma dimensão vertical, o encontro com Deus em um mundo contemporâneo no qual o olhar do homem está voltado para si mesmo e para a dimensão material da existência. Nesse sentido, favoreceu uma espécie de “contágio” espiritual benéfico.
Há alguns meses, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei lançou um documento, a instrução sobre a aplicação do Motu Proprio. Há quem tenha falado de uma espécie de apelo aos bispos para atender às demandas dos fiéis…
É uma tradução do Motu Proprio em indicações concretas. A média dos bispos, que a princípio ficou perplexa, já pode começar a se mover na direção certa. Esta instrução encoraja os bispos a atender os pedidos dos fiéis sensíveis à missa antiga, que deve ser considerada por todos uma riqueza da liturgia romana.
Não é nenhum segredo que alguns episcopados não apreciaram esta escolha e procuram de todas as maneiras obstruí-la, comportando-se como verdadeiros e próprios rebeldes para com o Papa…
Há realmente uma espécie de neogalicanismo sorrateiro, em que alguns setores da Igreja pensam ser auto-suficientes de Roma. Mas quem pensa nestes termos não é católico. Os bispos que desobedecem ao Papa se colocam na posição de não serem eles mesmos obedecidos por párocos e fiéis.
A Igreja sempre disse: lex orandi, lex credendi. A liturgia é estreitamente ligada à teologia. O Papa Bento XVI estabeleceu como bússola do seu Magistério a continuidade com a Tradição e um gesto forte foi remover a excomunhão dos lefebvrianos. O que o senhor acha?
Penso que foi um gesto de grande caridade. Romper a comunhão é fácil, o difícil é restabelecer, mas Cristo quis que todos nós fôssemos um e isso deve ser um imperativo para nós. A obra meritória do Papa evidencia a sua grande paciência, mas, por outro lado, como se não fosse assim, assistimos a um paradoxo: enquanto se exige tanto o diálogo com os não-católicos e até mesmo com os não-cristãos, como se pode ser preconceituosamente hostil à idéia de se reunir com aqueles que têm a mesma fé? O próprio Bento XVI naquela ocasião citou a carta de São Paulo aos Gálatas: “Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tomai cuidado em não vos destruirdes uns aos outros”. O drama atual da Igreja é o exclusivismo da parte daqueles que se professam ecumênicos.
Nesta ocasião se falava sobre política e valores. Muitos líderes de partidos enchem a boca com a expressão “questão moral”…
Ouço falar muito sobre a necessidade de “códigos de ética” para os partidos, mas de uma ética não muito especificada. A fonte do que é bem ou mal pode derivar do homem? Devemos nos voltar para os Dez Mandamentos, as únicas verdadeiras tábuas éticas que vêm de Deus.